sábado, 29 de outubro de 2011

Era uma Vez...

“Odeio começar a escrever com ‘Era uma vez’, não acho que prende a atenção dos leitores com eficiência, mas bem, como não tenho criatividade pra começar de outro jeito...”

Era uma vez...

“Aposto que agora prendi sua atenção”

Era uma vez, Caio, um garoto muito bonito, alto, forte... Era o tipo de cara que toda menininha sonha pra marido, ele era saudável, deixara de beber há muito, sabia que aquilo, embora bom, lhe causava danos;

Nunca fumou sequer um cigarro, prezava pela saúde de seus pulmões...

Aos 20 anos passou a se alimentar com uma dieta rica em frutas, verduras, passou a comer cada vez menos carne, e, embora, fosse um grande fã de churrasco, passou a comer apenas carnes brancas devido ao seu baixo teor de gorduras e alto valor energético.

Caio, prefere se refrescar com água pura à qualquer outro liquido, o açúcar nos refrigerantes e refrescos poderiam quebrar sua dieta, elevar seu peso, fazê-lo perder seu abdômen definido...

Caio também não saia com mulheres com freqüência, embora muito desejado por sua estatura e beleza construída com muito esforço durante quatro anos ininterruptos de academia, tinha medo que uma mulher quebra-se sua rotina de exercícios diários, pensava: “E se eu acordar cansado amanhã? Melhor não!” a verdade é que no fundo Caio se achava bom demais pra qualquer uma que cruza-se seu caminho, em sua opinião mais sincera, caio achava que nunca conhecera uma mulher boa o suficiente para tê-lo para si.

Esse foi o estilo de vida que Caio escolheu, um estilo saudável, viveria bem até os 80 anos, não sofreria com doenças como gastrite, câncer, herpes e etc.

Do outro lado da cidade, Marco, um garoto comum, nem feio nem belo, nem inteligente nem burro...

Marco se orgulhava de não ser ruim em nada, entretanto também não era bom em coisa alguma, era sempre um meio termo que o definia...

Marco era danado e infantil, roubava galinhas pela adrenalina da fuga, depois as dava a quem precisasse de alimento, se sentia um Robin Hood no Maranhão.

Marco era muito diferente de Caio, Marco comia o que lhe dava vontade, tinha preferência pela gordura que escorria da picanha em cima da churrasqueira, bebia, no mínimo, um litro de Coca-Cola por dia, além de não falhar a uma cervejinha nos finais de semana e, as vezes, quando estava muito nervoso, fumava um ou dois cigarros antes de dormir...

Marco, nunca pôs os pés em uma academia, nem em sonho ele pagaria pra fazer esforço.

Marco tinha um verdadeiro ódio de nutricionistas, não agüentava a mania que nutricionista tem de dizer que todas as melhores comidas são ruins pra saúde.

Esses eram Caio e Marco...

Caio logo conseguiu um contrato com uma firma de modelagem...

Marco seguiu com os negócios do pai, que era um bom administrador, mas nunca chegou aos pés do filho.

Caio, num dia de semana, ninguém se lembra ao certo qual, foi atingido por um motorista imprudente, levado ao hospital e lá morreu aos 23 anos.

Marco morreu na manhã do seu 81º aniversário, uma terça-feira,cercado por seus filhos, netos e um bisneto de nome igual ao seu, estivera doente nos últimos meses e ter morrido no dia do seu aniversário foi uma feliz coincidência aos seus olhos, não queria ir embora com a idéia de quase ter chegado aos 81.

Caio foi levado pelo acaso, e pelo o acaso que Marco ficou tanto tempo vivo.

Caio deveria ter vivido mais, sim.

Mas a que preço? Placas de se alimente bem, não corra, não fume, já disse o poeta, são facas de dois gumes...

Fazem-te viver mais, sim, mais tempo, porém levam toda a intensidade de sua existência te fazendo viver menos, bem menos.

...

sábado, 13 de agosto de 2011

Tardes...

Ao som de lembranças...

Não sei se foi por acaso ou desejo, as achei hoje.

O tempo passa rápido...

Não sei muito, o pouco que sei ou acho escrevo aqui...

Levo a certeza de que ao final do meu dia, quando o sol se por pro meu reinado, amaldiçoarei o tempo e praguejarei contra mim mesmo por não ter aproveitado cada minuto do meu dia de sol.

E lá quando o sol não tocar mais meu rosto, quando eu já não puder mais ver o sorriso sincero de um amigo...

Praguejarei contra mim mesmo por ter perdido tantos segundos do meu precioso dia... Por que não notei que logo esse dia chegaria ao fim?! Por que não percebi que não mais teria a chance de voltar atrás?

Por que deixei passar o momento daquele beijo?

Por quê?

Mas...

E se eu tivesse percebido o quanto o dia é curto ainda quando era manhã?

E se ainda fosse cedo o suficiente pra voltar e rebuscar os momentos já perdidos?

Lá quando eu ainda tinha ar nos pulmões e forças pra correr...

E se?

Talvez eu não tenha tido uma grande manhã, mas da minha tarde eu farei o que quiser.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dança...

Nos últimos três anos, eu vi e vivi várias coisas...

Tive medo, fracassei, eu menti, nunca contei.

Mas de tudo que vivi, de tudo que fiz e quis fazer nada me tirou mais o sono do que o medo de mais um fracasso.

Não estou aqui dizendo que sou um fracassado nem nada disso, mas tenho de admitir, em matéria de fracasso, eu sou mesmo um profissional...

Talvez seja por essa minha meta tão distante ou por incompetência própria... ( prefiro acreditar que é pela distância)

Realmente o que quero não é fácil.

Mas enfim, minha mãe sempre disse que escrever ajuda a organizar os problemas, temores, ânsias e essa lição, tenho de admitir, eu aprendi muito bem.

Adquiri com o tempo a habilidade de usar minhas dores, problemas, desejos e medos como tinta pra minhas palavras...

E como sempre,

Dança...

E é na agonia,
Na tristeza
Ou na alegria e
No sorriso.
Que eu pego a pena
E faço do papel seu piso.

Faço dança ou caminhado,
Tudo depende do meu estado
Na dança tem beleza
Ritmo, Rima, leveza
Já no caminhado.
Eu conto com destreza.
Sério, verdade, lerdeza.

A verdade é que por meu sentir exagerado.
Acabo, sempre, aos meus pés jogado.
Clamando por perdão.
Mas antes que eu responda.
Me levanto e grito: NÃO
Pego a pena e lá vou eu, dinovo,
Embelezar esse maldito chão.

E de excruciantes dores do meu peito.
Eu faço versos, me deleito.
E agora é meu sentimento
que tu seguras belo e feito!